Rompimento da Barragem de Brumadinho/MG

por Leonardo Oliverio

Brumadinho, assim como Mariana três anos antes, pôde sentir o poder destrutivo de uma gestão voltada apenas para os interesses empresariais em detrimento à coletividade.

Todos os projetos de lei pós Mariana, que visavam o endurecimento das ações de fiscalização e controle das barragens emperraram nas casas legislativas. Regras estaduais foram abrandadas visando maior liberdade no licenciamento de barragens. Licenciamento este que parece sempre com servidores de sobra em face à falta de profissionais para o trabalho de fiscalização.

No Brasil são quase 800 barragens de rejeitos existentes, sendo mais de 300 sem fiscalização, segundo informações da ANA (Agência Nacional de Águas) e da Agência Nacional de Mineração (ANM). Muitas dessas barragens carecem de manutenção e podem ser de potencial tão destrutivo quanto à de Brumadinho.

Passado quase 15 dias desde o trágico acidente, as informações que começam a surgir dão conta de que a Vale tinha conhecimento de problemas na estrutura da barragem que estourou, motivo pelo qual poderia estar trabalhando em alguma ação de contingência no momento. Outra situação que aponta para isso é uma tese de mestrado de 2010 (ou seja, 9 anos atrás!) que já demonstrava grande possibilidade de liquefação daquela barragem, demonstrando inclusive meios possíveis de se paralisar o processo, o que poderia ter salvo centenas de vidas.

Aos governos, passado o período de rescaldo, cabe buscar não só a investigação plena das causas deste crime (julgando e condenando os envolvidos), mas também uma revisão completa dos métodos e leis que compõem o controle de barragens de qualquer natureza, bem como reforço do efetivo e aparelhamento das equipes de fiscalização espalhadas pelo Brasil. Tudo isso para que se possa efetivamente evitar novas tragédias como a que estamos vivendo. É o momento dos novos governos e de seus governantes, de se mostrarem diferentes de um passado que mirou apenas os interesses das grandes empresas. Se as lágrimas de Mariana não foram suficientes para aprendermos, que as de Brumadinho sejam!

Entre mortos e vivos, todos perdem. Perdeu a Vale. Perdeu Minas Gerais. Perdeu o Brasil.